sexta-feira, 25 de junho de 2010

casamento caipira



Em um clima de total harmonia e descontração, o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) promoveu, na manhã desta quarta-feira (23), sua festa junina, com direito até a um casamento caipira com “noiva, noivo, padre e convidados”.



A comemoração integra o calendário escolar e foi destinada aos cerca de 200 internos que estudam na escola instalada no presídio. Durante os últimos dias, eles trabalharam na decoração da festa e realizaram pesquisas sobre a comemoração, uma das principais manifestações da cultura popular no País.



O diretor da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Deusdete Oliveira, parabenizou a realização do evento e o ambiente de tranquilidade em que foi conduzido. Oliveira destacou, ainda, o trabalho desenvolvido pela direção e equipe de servidores penitenciários do IPCG. “Aqui percebemos que existe disciplina conciliada com humanização da pena”, disse.



Representando a Secretaria Estadual de Educação no evento, o superintendente de Educação Básica, Roberval Ângelo Furtado, classificou a realização como um momento de integração em todos os sentidos. “É uma festa que ocorre nas escolas da Rede Estadual de Ensino e aqui não poderia ser diferente, demonstrando também o sucesso na parceria entre as secretarias de Segurança, por meio da Agepen, e de Educação, no sentido de garantir o direito do preso à Educação”, comentou. “Prova disso também é o alto índice de aprovação de detentos no Enem [Exame Nacional de Ensino Médio] realizado no início deste ano”.


A festa


Enfeitada com bandeirolas, a quadra esportiva da unidade penal foi palco de muita descontração. Nas barracas, foram distribuídas aos detentos e convidados comidas típicas desse tipo de festa, como cachorro-quente, arroz-doce e pipoca.



Uma das preocupações dos organizadores foi a de manter a tradição de realizar a quadrilha com reeducandos formando “casais”. Professores da Escola Estadual Polo “Regina Anffe Nunes Betine”, responsáveis pelo ensino no IPCG, também participaram dança.



Embalados ao som da sanfona e do violão – tocados por um grupo formado por internos – eles desenvolveram vários passos da dança, entre eles o cumprimento de dama e cavalheiro, grande roda e o túnel do amor. Vestido de padre, o professor de Educação Física, Rubens Mudo, do grupo de dança Camalote, puxou a coreografia.



Mas, sem dúvida nenhuma, a grande atração do Arraial do Instituto Penal foi o casamento caipira. O interno Waldomiro da Cunha Filho, 38 anos, fez o papel da noiva. Para ele, que cursa o 1º ano do Ensino Médio no presídio, a festividade representou um momento de muita alegria e de valorização. “Muita gente pensa que estamos aqui esquecidos, mas essa festa mostra que nós também temos valor, que tem uma equipe de professores e do presídio que quer o nosso melhor e desenvolvem um trabalho para que a gente busque no estudo, na educação, o caminho para uma vida melhor quando sair daqui”, disse.



Como forma de incentivar os custodiados a participarem das brincadeiras, foram premiadas as duplas mais animadas que participaram da quadrilha.

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