sexta-feira, 25 de junho de 2010

Caipira


Caipira picando fumo (Almeida Júnior, 1893).

O termo caipira (do tupi Ka'apir ou Kaa - pira, que significa "cortador de mato"), é o nome que os indígenas guaianás do interior do estado de São Paulo, no Brasil, deram aoscolonizadores brancos, caboclos, mulatos e negros.

É também uma designação genérica dada, no país, aos habitantes das regiões situadas principalmente no interior do sudeste e centro-oeste do país. Entende-se por "interior", todos os municípios que não pertencem às grandes regiões metropolitanas nem ao litoralonde existe o caiçara. O termo caipira teve sua origem e costuma ser utilizado com mais frequência no estado de São Paulo. Seu congênere em Minas Gerais é capiau (palavra que também significa cortador de mato), na região Nordeste, matuto, e no Sul, colono.




Origens

O núcleo original do caipira foi formado pela região do Médio Tietê, estão entre as primeiras vilas fundadas no Estado de São Paulo, durante o Brasil colonial, e de onde partiram algumas das importantes bandeiras no desbravamento do interior brasileiro. Os bandeirantespartiam da Vila de São Paulo de Piratininga e desta região do Médio Tietê, nas chamadas "monções", embarcando em canoas, no atual município de Porto Feliz, para desbravarem o interior do Brasil.

No quadrilátero formado pelas cidades de Campinas, Piracicaba, Botucatu e Sorocaba, no médio rio Tietê, ainda se preservam a cultura e o sotaque caipiras. Nesta região, o caipira sofreu muitas transformações, influenciado que foi pela maciça imigração italiana para asfazendas de café.

Na região norte paulista (de Campinas a Igarapava) povoada posteriormente, no início do século XIX, a presença de migrantes de Minas Gerais foi grande dando outra característica à região.[1][2] Já o Oeste de São Paulo, de colonização recente (início do século XX), já surgiu com a presença italiana, japonesa, mineira e nordestina, também formando uma cultura bem diferente das regiões mais antigas de São Paulo.[3]


Cultura caipira

Assim, bastante isolados, geraram uma cultura bem peculiar e localizada, e, por outro lado, preservaram muito da cultura da época em que o Brasil era uma colônia de Portugal. A chamada "cultura caipira" é fortemente caracterizada pela intensa religiosidade católicatradicional, por superstições e pelo folclore rico e variado.

O caipira usa um falar, o dialeto caipira que, muitas vezes, preserva elementos do falar do português arcaico (como dizer "pregunta" e não "pergunta") e, principalmente, do tupi e do nheengatu. Nestas duas línguas indígenas não há certos fonemas como o "lh" (ex: palha) e o "l" gutural (ex: animal). Por este motivo, na fala do caipira, a palavra "palha" vira "paia" e "animal" vira algo como "animar". Este modo de falar, o dialeto caipira, é também conhecido como tupinizado ou acaipirado.


Música caipira

Sua música é chamada de música caipira, posteriormente, para se distinguir da música sertaneja, recebe o nome de "música de raiz" também é conhecida por 'música do interior'. o compositor Renato Teixeira, com sua composição "Rapaz Caipira", foi um dos responsáveis pela volta do nome "música caipira".

A música caipira tem uma temática rural, e, segundo Cornélio Pires que a conheceu em seu estado original, se caracteriza "por suas letras românticas, por um canto triste que comove e lembra a senzala e a tapera" mas sua dança é alegre". Entre suas mais destacadas variações, está a moda de viola. O termo "moda de viola" usado por Cornélio Pires é o mais antigo nome da música feita pelo caipira.

A música é geralmente homofônica ou, algumas vezes, no estilo primitivo do organum.


Contos ou causos do caipira

Também é típico do caipira os "causos", (historietas contadas através de pai para filho durante séculos), que o caipira gosta de contar.

Os vários tipos de caipira

O tipo humano do caipira e sua cultura tiveram sua origem no contato dos colonizadores brancos bandeirantes com os nativos ameríndios(ou gentios da terra, ou bugres) e com os negros africanos escravizados. Os negros de São Paulo eram na sua grande maioria provenientes de Angola e Moçambique, ao contrário dos negros da Bahia na sua maioria provenientes da Costa da Guiné.

Assim, o caipira se dividia em quatro categorias, segundo sua etnia, cada uma delas com suas peculiariedades:

Cquote1.svgCoitado do meu patrício! Apesar dos governos os outros caipiras se vão endireitando à custa do próprio esforço, ignorantes de noções de higiene... Só ele, o caboclo, ficou mumbava, sujo e ruim! Ele não tem culpa... Ele nada sabe. Foi um desses indivíduos que Monteiro Lobato estudou, criando o Jeca Tatu, erradamente dado como representante do caipira em geral!Cquote2.svg
Cornélio Pires
  • caipira negro: descendente de escravos, na época de Cornélio Pires chamado de Caipira Preto: Foi imortalizado pelas figuras folclóricas da mãe-preta e do preto-velho que é homenageado por Tião Carreiro e Pardinho nas músicas "Preto inocente" e "Preto Velho". É, em geral, pobre. Sofre, até hoje, as conseqüências da escravidão; Cornélio Pires diz dele: "É batuqueiro, sambador, e "bate" dez léguas a pé para cantar um desafio num fandango ou "chacuaiá" o corpo num baile da roça".
  • caipira branco: descendente dos bandeirantes, uma nobreza decaída, orgulha-se de seu sobrenome bandeirante: os Pires, os Camargos, os Paes Lemes, os Prados, os Siqueiras, os Prados, entre outros. É católico, e se miscigenou com o colono italiano. Pobre, mas é, ainda, proprietário de pequenos lotes de terras rurais: os chamados sítios.
  • caipira mulato, descendente de africanos com europeus. Raramente são proprietários. Cornélio Pires os tem como patriotas e altivos. Diz dele Cornélio Pires: “o mais vigoroso, altivo, o mais independente e o mais patriota dos brasileiros”. Excessivamente cortês, galanteador para com as senhoras, jamais se humilha diante do patrão. Apreciador de sambas e bailes, não se mistura com o “caboclo preto”.

Cornélio Pires informa, em Conversas ao Pé do Fogo, onde descreveu a vida do caipira, que o caipira cafuso e o caipira "caboré" são raros no Estado de São Paulo.


O caipira na cultura brasileira

O caipira foi estigmatizado por Monteiro Lobato, que conheceu apenas o caipira caboclo, tomando-o como paradigma e protótipo de todos os caipiras.

O cineasta Amácio Mazzaropi criou uma personagem, nos anos de 1950, que fez muito sucesso no cinema brasileiro: O Jeca, inspirado no caipira branco (Mazzaropi tinha ascendência italiana).

O cartunista Maurício de Sousa também tem um personagem caipira nas histórias da Turma da Mônica que é o Chico Bento: um menino caipira que representa o confronto da cultura caipira com a urbanização do Brasil. Notável é o fato de as falas nas historietas em quadrinhos do "Chico Bento" serem escritas no dialeto caipira, em vez do português culto, contudo as falas se tornam justificáveis por serem utilizadas em negrito, tecnicamente o erro ficaria subentendido.

O caipira foi retratado com precisão e maestria pelo pintor José Ferraz de Almeida Júnior nas suas obras-primas "caipira picando fumo" e "violeiro".

O maior estudioso do caipira foi Cornélio Pires que compreendeu, valorizou e divulgou a cultura caipira nos centros urbanos do Brasil. Cornélio Pires em sua obra Samba e Cateretês, registrou inúmeras letras de música caipiras, que ouviu em suas viagens, e que, sem esta obra, teriam caído no esquecimento. Cornélio Pires registrou também a influência da imigração italiana entrando em contato com o caipira. Cornélio Pires também registrou os termos caipiras mais usados em seu Dicionário do Caipira publicado na obra "Conversas ao pé do Fogo".

Cornélio Pires foi o primeiro que lançou, em discos de 78 Rpm, a música caipira, hoje chamada de "música de raiz", em oposição àmúsica sertaneja e produziu cerca de 500 discos em 78 rpm.

Os seguintes termos servem de sinônimo para o caipira brasileiro (sendo alguns regionais):

araruama; babaquara; babeco; baiano; baiquara; beira-corgo; beiradeiro; biriba ou biriva; botocudo; brocoió; bruaqueiro; caapora; caboclo; caburé; cafumango; caiçara; cambembe; camisão; canguaí; canguçu; capa-bode; capiau; capicongo; capuava; capurreiro; cariazal; casaca; casacudo; casca-grossa; catatuá; catimbó; catrumano; chapadeiro; curau; curumba; groteiro; guasca; jeca; macaqueiro; mambira; mandi ou mandim; mandioqueiro; mano-juca; maratimba; mateiro; matuto; mixanga; mixuango ou muxuango; mocorongo; moqueta; mucufu; pé-duro; pé-no-chão; pioca; piraguara; piraquara; queijeiro; restingueiro; roceiro; saquarema; sertanejo; sitiano; tabaréu; tapiocano; urumbeba ou urumbeva.[4]


O Programa Revelando São Paulo

O governo do Estado de São Paulo promove anualmente, desde 1997, no mês de julho, o Festival da Cultura Paulista TradicionalRevelando São Paulo realizado em diversas cidades do interior paulista e na capital paulista com o objetivo de divulgar a cultura caipira com shows e apresentações do artesanato e da culinária caipira.

casamento caipira



Em um clima de total harmonia e descontração, o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) promoveu, na manhã desta quarta-feira (23), sua festa junina, com direito até a um casamento caipira com “noiva, noivo, padre e convidados”.



A comemoração integra o calendário escolar e foi destinada aos cerca de 200 internos que estudam na escola instalada no presídio. Durante os últimos dias, eles trabalharam na decoração da festa e realizaram pesquisas sobre a comemoração, uma das principais manifestações da cultura popular no País.



O diretor da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Deusdete Oliveira, parabenizou a realização do evento e o ambiente de tranquilidade em que foi conduzido. Oliveira destacou, ainda, o trabalho desenvolvido pela direção e equipe de servidores penitenciários do IPCG. “Aqui percebemos que existe disciplina conciliada com humanização da pena”, disse.



Representando a Secretaria Estadual de Educação no evento, o superintendente de Educação Básica, Roberval Ângelo Furtado, classificou a realização como um momento de integração em todos os sentidos. “É uma festa que ocorre nas escolas da Rede Estadual de Ensino e aqui não poderia ser diferente, demonstrando também o sucesso na parceria entre as secretarias de Segurança, por meio da Agepen, e de Educação, no sentido de garantir o direito do preso à Educação”, comentou. “Prova disso também é o alto índice de aprovação de detentos no Enem [Exame Nacional de Ensino Médio] realizado no início deste ano”.


A festa


Enfeitada com bandeirolas, a quadra esportiva da unidade penal foi palco de muita descontração. Nas barracas, foram distribuídas aos detentos e convidados comidas típicas desse tipo de festa, como cachorro-quente, arroz-doce e pipoca.



Uma das preocupações dos organizadores foi a de manter a tradição de realizar a quadrilha com reeducandos formando “casais”. Professores da Escola Estadual Polo “Regina Anffe Nunes Betine”, responsáveis pelo ensino no IPCG, também participaram dança.



Embalados ao som da sanfona e do violão – tocados por um grupo formado por internos – eles desenvolveram vários passos da dança, entre eles o cumprimento de dama e cavalheiro, grande roda e o túnel do amor. Vestido de padre, o professor de Educação Física, Rubens Mudo, do grupo de dança Camalote, puxou a coreografia.



Mas, sem dúvida nenhuma, a grande atração do Arraial do Instituto Penal foi o casamento caipira. O interno Waldomiro da Cunha Filho, 38 anos, fez o papel da noiva. Para ele, que cursa o 1º ano do Ensino Médio no presídio, a festividade representou um momento de muita alegria e de valorização. “Muita gente pensa que estamos aqui esquecidos, mas essa festa mostra que nós também temos valor, que tem uma equipe de professores e do presídio que quer o nosso melhor e desenvolvem um trabalho para que a gente busque no estudo, na educação, o caminho para uma vida melhor quando sair daqui”, disse.



Como forma de incentivar os custodiados a participarem das brincadeiras, foram premiadas as duplas mais animadas que participaram da quadrilha.

Festas juninas movimentam a Cidade

Desde o início do mês, as festas juninas realizadas tradicionalmente em junho têm movimentado a Cidade. Amanhã, não será diferente, já que diversas escolas e entidades realizam o evento em homenagem a santos como São João, São Pedro e Santo Antonio. As festividades, inclusive, têm impulsionado o comércio mogiano, que registra aumento de até 40% nas vendas de produtos como doces e salgados típicos, além de trajes caipiras.

"Desde o início do mês começamos a receber as encomendas de roupas para festas juninas. Neste ano, porém, decidimos fazer apenas trajes femininos, como saias e vestidos. Até o último final de semana, já havíamos confeccionado cerca de 100 peças para as festividades. Para este sábado, temos mais 30 encomendados, sendo a maioria de tamanho infantil", frisa Wilson Cury, proprietário da Casa São João, no Centro.

De acordo com ele, para a confecção das peças foram utilizadas muitas fitas, rendas, além de tecidos diferenciados. "Antigamente, as pessoas procuravam apenas aqueles feitos com tecidos mais baratos. Agora, percebemos que tem aumentado a procura por vestidos mais trabalhados, até mesmo com bordados. Também utilizamos muitas cores fortes, como vermelho, azul, verde e amarelo, principalmente por causa da Copa do Mundo", destaca, acrescentando que a casa comemorou ontem o aniversário de 78 anos de fundação. "Desde o início, este estabelecimento faz trajes para festas juninas. Além disso, temos tradição de comercializar bandeiras com as de Santo Antonio, São João e São Pedro para completar a comemoração", frisa.

Já na Nizuma Bebê Modas, no Centro, a procura pelas roupas caipiras começou ainda no mês de maio. "Trabalhamos com peças infantis femininas e masculinas, como vestidos caipira, de noiva, camisas xadrez, chapéus de palha e de vários outros tipos e até mesmo colete estilo country, já que nos últimos anos, algumas escolas têm utilizado o tema nesta época do ano. Esta variedade atrai muitos clientes", aponta o proprietário da loja, Mauro Kazuo Nizuma.

Durante a festa, doces de amendoim, como paçoca, gibi e pé de moleque, além de outros como doce de abóbora e batata compõem a mesa de comidas típicas. Com isso, bombonieres da Cidade também registram aumento nas vendas dos quitutes. "O movimento maior começou depois do dia 10, já que algumas escolas deram início à festa no dia 12, em comemoração a Santo Antonio. A procura por estes produtos continua alta inclusive nesta semana, sendo que contabilizamos aumento de aproximadamente 15% nas vendas", descreve a gerente do Mini Mercado Big Bem, Marisa Tibana.

No Hipermercado Shibata, um espaço foi montado especialmente para expor os produtos típicos de festas juninas. "Temos três estandes especiais para isso, sendo um com itens como canjica, fubá, milho para pipoca, amendoim cru e torrado, sagu, entre outros. Já o segundo é composto por doces como de leite, de coco, pé de moleque e paçoca. Por fim, o último é destinado à área de hortifruti, com batata doce, pinhão e gengibre. Também deixamos vinho nas proximidades", explica. "Segundo levantamento, alguns produtos como milho de pipoca tiveram aumento de 100% nas vendas neste período. Porém, de um modo geral, contabilizamos 40% a mais no consumo", acrescenta.